quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pedagogia no Deserto

APÊNDICE
Alguém poderia questionar: por que o povo hebreu permaneceu no deserto por 40 anos?
Penso que a melhor resposta vem depois da leitura do livro dos Números que narra esta epopeia do povo de Deus a travessia do deserto rumo a terra prometida.

PARAFRASEANDO
Geograficamente falando, uma distância em torno de 220/km separava o Egito da terra de Canaã Sendo que, 11 dias de caminhada,  era o bastante para o povo hebreu  chegar na terra prometida. 
Dá impressão de que aquele povo tinha memória curta. Será que Moisés ao conduzir a fuga do povo hebreu esqueceu-se de pesquisar sobre o caminho que dava acesso a terra de Canaã ou isto foi um acidente de percurso digamos assim; ou será que Javé equivocou-se? Nada disso!

ÊXODO 13:17-18  DECLARA:
“Quando o Faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais curto, pois disse: ‘Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se arrependam e voltem para o Egito’. Assim, o Senhor fez o povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho.

REFORÇANDO:
“O Texto Sagrado, do livro de (Is-40, 12), afirma que todas as coisas estão sob o conhecimento onisciente de Deus e, que Ele mediu numa vasilha a superfície da Terra; a água do mar com a concha da Sua mão; e pesou as montanhas do mundo numa balança, e as colinas e os abismos em pratos”. 

EMPURRANDO COM A BARRIGA
Amigo leitor (a). Você já teve a sensação que algo que é relativamente fácil às vezes demora a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer, mas acabamos por empurrar com a barriga em quase todas as situações? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando. Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas contas espirituais com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando e, caímos na cantiga do curiango que, ao grasnar, emite um som enfadonho que diz mais ou menos assim: amanhã eu vou... amanhã eu vou; e nunca vai? É o chamado cântico do marasmo.

PEDAGOGIA NO DESERTO
O deserto foi o tempo da grande disciplina e pedagogia para o povo hebreu. Não basta estar livre; é preciso aprender a viver a liberdade e conquistá-la continuamente para não voltar a ser escravo outra vez. No deserto Israel teve que superar muitas tentações: acomodações, desânimo, vontade de voltar para trás desconfiança de Javé e dos lideres, imprudência etc. Foi no confronto com essas situações que Israel descobriu o que significa ser livre para construir uma sociedade justa e fraterna alicerçada na liberdade  e voltada para a vida. 
Foram precisos 40 anos de caminhada no deserto, crianças nascendo e velhos morrendo, para mostrar que Deus é muito paciente para ensinar seus filhos e nós somos muito apressados para nos equivocar, reclamar, reclamar e reclamar. É extraordinária a mente humana. A essas alturas os hebreus já haviam esquecido-se das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.
Deus cedeu a muitas reclamações, mandou maná, um pão de mel bom de mais da conta, mandou água potável, mandou codornas para os esfomeados  e aloprados consumidores de carne. 

"TRIGO E JOIO"
O propósito de Deus era ensinar! Ensinar que nem sempre devemos seguir a maioria e, é preciso ser diferente e saber agradecer. Ser diferente é difícil, por isto de todo aquele povo, apenas duas pessoas pisaram na Terra Prometida, Josué e Calebe.
O zig-zag no deserto foi uma estratégia criada por Deus para separar “o fiel do infiel”. Dentre todos os que saíram do Egito estavam muitos escravos e gerações e mais gerações que não conheciam a história de José, que certa vez, fizera a diferença naquela terra – representando o Deus Altíssimo. 
Deus abriu o Mar Vermelho e durante o deserto: falou, fez comida se materializar, colocou uma nuvem para fazer sombra durante o dia e uma tocha de fogo para aquecê-los durante a noite. Mas mesmo assim, o povo só murmurava, queria deuses de estátuas para ver, tocar e adorar.

REFLEXÃO
Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.
Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação do mundo (Egito). Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la! Já!

Um comentário:

  1. "Oh Canaã terra de encantos mil, que jorra leite e mel.
    És o fogo na luz do acirema, mistério, quem viu.
    Tens florestas verdejantes e anil é teu céu.
    Do meio das grandes águas do sul surgiu".

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